21 / 06 / 22

Ações afirmativas: o que são e por que importam?

Ações afirmativas são importantes para o desenvolvimento individual e coletivo dentro das empresas

grupo de homens e mulheres de mãos dadas representando premissa de ações afirmativas dentro de um time

Ações afirmativas são uma forma de aprimorar a cultura organizacional desde o princípio da cadeia de relações

Você deve lembrar que em 2019 o anúncio de um programa de trainee voltado exclusivamente para pessoas negras, promovido pela grande varejista Magazine Luiza virou notícia no país. Ao adotar ações afirmativas na contratação de novos funcionários visando fomentar a diversidade e a representatividade, a empresa abriu caminhos para o debate propositivo no ambiente empresarial mas, também, para muita polêmica.

Mas por que uma atitude positiva como esta geraria tantos comentários negativos? Pois é, não há motivos. Ações afirmativas são uma forma de aprimorar a cultura organizacional desde o princípio da cadeia de relações. São tomadas de decisões que têm como objetivo combater desigualdades estruturais, elevando o nível de equidade em qualquer ambiente, inclusive o corporativo. 

Ações afirmativas são importantes e fazem uma real diferença no desenvolvimento individual e coletivo. Continue lendo e entenda por que. 

Por que se preocupar com ações afirmativas?

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2019, publicada pelo IBGE, revelam que 56,2% dos brasileiros se autodeclaram pretos ou pardos, ou seja, são maioria no país. Enquanto isso, no mercado de trabalho, os cargos de liderança são cada vez mais ocupados por pessoas brancas, o equivalente a 68,6%, segundo informações do próprio IBGE. Esses indicadores são apenas um recorte das desigualdades históricas e persistentes que permeiam os setores da sociedade sem cerimônia.

Ser uma pessoa jurídica que se preocupa com ações afirmativas no ambiente corporativo é, portanto, entender a necessidade de oferecer oportunidades igualitárias para pessoas diversas, é valorizar a humanidade e a empatia na cultura organizacional ao tempo em que se leva em consideração a pluralidade cultural e as diferentes realidades socioeconômicas que cada colaborador está inserido.

A mudança precisa ser de dentro para fora

Ser contra a desigualdade de gênero ou raça não significa marcar datas importantes de luta no calendário e fazer publicações especiais em apoio às causas. Para combater essa discriminação é preciso ir além. A exemplo disso, observamos ser cada vez mais comum empresas adotarem políticas de diversidade e de inclusão de grupos socialmente mais vulneráveis e potencialmente discriminados, tanto no acesso ao mercado de trabalho, quanto na progressão na carreira.

Vale frisar que tão importante quanto adotar ações afirmativas em recrutamentos é investir na capacitação dos profissionais da área de Recursos Humanos, uma vez que eles são a liga entre a empresa e os funcionários. Proporcionar um melhor entendimento do tema e incentivar programas de conscientização adequados para combater atitudes discriminatórias no ambiente de trabalho é essencial.

É fato que os recortes que permeiam o preconceito com o outro são muitos e variados. Por isso mesmo que, enquanto não inserirmos pouco a pouco ações inclusivas no ambiente corporativo, os indicadores não sairão do lugar. 

Sendo assim, uma atenção especial voltada para os grupos que mais sofrem alguma forma de discriminação no mercado de trabalho é fundamental. Pessoas negras, mulheres, pessoas LGBTQIA+ e pessoas com deficiência (PCD) precisam estar no topo das prioridades de ações afirmativas pensadas pelas empresas.

3 passos para implementar ações afirmativas na sua empresa

Aprender é bom, colocar em prática é melhor ainda. É possível estruturar ações afirmativas de maneira eficaz levando alguns pontos em consideração:

Observe a estrutura e cultura organizacional. Antes de fazer uma mudança é preciso organizar a casa. Uma pesquisa interna dos times para saber a composição do quadro de funcionários pode ser o primeiro passo. Com dados claros sobre gênero, idade, raça e acessibilidade dentro da empresa é possível pensar de maneira mais ampla sobre a adoção de políticas de inclusão.

Comece com exemplos. As iniciativas que encaram o racismo, o etarismo, o machismo e o capacitismo precisam ser pensadas de cima para baixo. A disposição das lideranças é importante para que esse movimento ganhe força e sirva como exemplo. Conhecimento histórico e sociológico e decisões baseadas em dados devem ser prioridade.

Valorize os talentos. Criar processos de recrutamento e seleção inclusivos e afirmativos para pessoas diversas é tarefa de casa. E mais do que isso, estabelecer uma política inclusiva não vale apenas para a atração de profissionais, é preciso retê-los. Programas de carreira e desenvolvimento internos específicos, como mentorias voltadas para lideranças negras, por exemplo, são um diferencial para quem busca se estabelecer em uma empresa.

A escolha de um bom time diz muito sobre os valores de uma organização. Seja uma pessoa impulsionadora e que ajuda a construir caminhos para que pessoas diversas possam brilhar ao representar tantas outras. 

Se você gostou desse texto, também pode gostar de ler “Como liderar em tempos de múltiplas gerações” aqui do blog, que fala sobre como a geração de resultados corporativos está diretamente relacionada às visões e bagagens diferentes da equipe.

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Sara Basan

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